sexta-feira, 12 de julho de 2013

Cáp n° 1


Era o fim de um belo dia de outono. O Sol terminava de se esconder, sumindo entre as copas das árvores e deixando apenas pequenos feixes de luz vermelha atingirem o céu amarelado. 
No meio desse espetáculo, uma mulher recolhe as roupas que estavam secando no varal. Contagiada pela paz trazida na paisagem, ela canta suavemente uma música que aprendera na infância. 

- Menina, vem logo pra dentro! Sua mãe está te chamando! - grita uma voz vinda da porta da cozinha.

- O que ela quer? - Ela pergunta com um leve mau- humor, pois aquela brusca interrupção fez com que deixasse cair o cesto de roupas, que estava em sua mão.

- Só me disse para chamá-la! Deixe essa roupa ai que eu recolho! 

- Não, não precisa! Já terminei! Você pode levar o cesto pra lavanderia? - perguntou se aproximando da figura baixa e de cabelos ruivos que falava com ela.

- Levo sim! Agora vai lá pra dentro, sua mãe tá na sala de visitas! - se aproximou do ouvido da outra e cochichou - parece que aquele cara esquisito veio fazer a oferta de novo!

- Ah, pelo amor de Deus! - e, impaciente, adentrou à casa em direção à sala de visitas.


A casa era simples, de forma geral. Não dá para se conseguir muito luxo quando se mora em um sítio. Apesar disso, sua mãe fazia o melhor que podia para deixar a casa confortável e agradável para todos. Um exemplo é a sala de visitas, tinha as paredes brancas, sofás e poltronas espalhados,  e uma mesinha no centro da sala. Fora as almofadas, revistas, livros e um pequeno piano de madeira clara. Tudo isso distribuído de forma organizada. Mas apesar dos esforços de sua mãe para tornar a sala um local agradável, nada naquele momento fazia com que ela achasse qualquer coisa agradável. Isso se devia pela presença do homem de cabelos grisalhos, que estava na sala com sua mãe neste exato momento.

- Me chamou, mãe? - disse procurando evitar olhar para o homem que tanto detestara. 

- Sim, Rosário! Sente - se por favor! O senhor Alberto veio refazer a sua proposta e gostaria que você a escutasse!

- Não acho que a minha resposta será diferente das outras propostas que já me fez! - olhando agora diretamente para Alberto, notou a presença de um outro rapaz que não conhecia.
Era mais novo que Alberto, devia ter quase trinta anos. Era alto e estava vestido com um terno preto, tinha um jeito arrogante apesar da pouca idade.

- Bem Srta. Rosário, eu espero que essa proposta agrade a ambos dessa vez! Eu bem sei o quanto a senhorita é difícil de agradar!  - Alberto riu, na tentativa de amenizar o clima, porém ninguém o acompanhou. A mãe de Rosário deu - lhe um leve sorriso, por pena. O homem que o acompanhava mostrou - se embaraçado.

- Não sou difícil de agradar, sr. Alberto, apenas não quero vender o sítio. Por mais tentador que possa ser essa sua nova oferta só estará perdendo o seu tempo! Minha resposta será sempre a mesma!

Enquanto Alberto pensava em algo para que pudesse responder, o homem que o acompanhava se adiantou.

- A senhorita prefere usar sempre a teimosia ao invés da cabeça? Seu sítio não dá lucros, tem uma distância considerável da cidade mais próxima, algo sobre o que a senhorita deveria pensar já mora sozinha com sua mãe quase idosa e apenas uma empregada. Não possui carros e já venderam todos os animais. O sr. Alberto está oferecendo muito mais do que esse sítio realmente vale!

- O senhor sabe muito sobre a nossa situação! -  disse Rosário se levantando do sofá - o que é um problema já que eu nem ao menos sei o seu nome!

- Perdão, - interrompeu Alberto - pela minha falta de educação! Este é o sr. O' Ryan, é um novo empregado na minha empresa. 

- Tomas O' Ryan, é um prazer conhecê-la! - disse secamente enquanto estendia a mão para um cumprimento.

- Maria do Rosário, mas acho que você já sabe disso! - respondeu retribuindo o cumprimento. - De qualquer forma, sr. O' Ryan, o senhor está correto sobre a situação do meu sítio, porém já o aviso que mesmo diante dessa situação, não pretendo vendê-lo. Agradeço pela proposta, mas a recuso! Uma boa noite, senhores e passem bem! Ah sim, tenham cuidado com a estrada, afinal como o sr. O' Ryan disse, a cidade mais próxima fica a uma distância considerável! - e dizendo essa última frase, Maria do Rosário desapareceu pela porta da sala. 


Continua....

   














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